segunda-feira, 26 de abril de 2010

Boom imobiliário torna o DF terra de corretores




Diego Amorim - Correio Braziliense
Publicação: 25/04/2010 10:16 Atualização: 25/04/2010 19:47
Líbia Dalva, formada em Direito pela UnB - ( Iano Andrade/CB/D.A Press )
Líbia Dalva, formada em Direito pela UnB
Sem salário fixo nem a estabilidade tão prezada em terra de servidor público, a profissão de corretor de imóveis se transformou em uma das mais promissoras na capital federal. Em nenhum outro lugar do país, ganha-se tanto dinheiro vendendo casas e apartamentos como em Brasília. Advogados, engenheiros, economistas e até profissionais de saúde têm migrado para a corretagem. No ano passado, o contingente desses profissionais saltou 21,7% no Distrito Federal, segundo levantamento do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci). O crescimento nacional foi de 11,5%.

O boom imobiliário da última década provocou uma mudança no perfil do corretor. Antes encarada como atividade de fim de carreira ou apenas uma oportunidade para verba extra, a corretagem virou profissão cobiçada por jovens recém-formados, cada vez mais dispostos a investir no ramo. O mercado superaquecido passou a exigir profissionais especializados e em constante formação. Atentas a uma demanda crescente, escolas de negócios começam a oferecer cursos de gestão imobiliária.

Há cerca de 8,5 mil corretores em atuação no DF. E todo mês o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) credencia cerca de 200 profissionais. Em tese, 5% do valor do imóvel vendido fica com o corretor. Mas geralmente esse percentual é repartido na imobiliária à qual ele está associado, se for o caso. Por mês, um corretor ganha no Brasil, em média, de R$ 2 a R$ 3 mil. No DF, a média sobe para R$ 5 mil. Em meses de pico de vendas, alguns chegam a faturar R$ 30 mil ou mais.

Como todo autônomo, no entanto, o corretor não tem dinheiro certo no fim do mês. Aqueles que trabalham para imobiliárias ganham, no máximo, uma ajuda de custo para gastos com combustível, telefone e alimentação. De resto, é ele quem faz o próprio salário. No DF, os preços dos imóveis atraem corretores de outros estados. Em um lugar onde o metro quadrado pode custar R$ 12 mil, aumenta-se a chance de ganhar uma bolada em uma única venda.

O Noroeste e os investimentos em cidades do DF e do Entorno crescem a expectativa por ganhos elevados e a curto prazo. O presidente do Creci, Hermes Alcântara, nega modismo ou deslumbramento em torno da profissão. “Isso é real. Só tem um jeito de o mercado desaquecer: se revogarem a lei da oferta e da procura”, diz. “Pelo menos nos próximos 20 anos, o corretor será a profissão do momento, ainda mais em Brasília”, completa o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva.

Mudança
A família e os amigos de Líbia Dalva, 24 anos, formada em direito pela Universidade de Brasília (UnB), se espantaram quando ouviram dela a decisão de trabalhar como corretora. Filha de procurador aposentado, irmã de servidor do Ministério Público, a jovem estava predestinada a encarar a rotina de concurseira após a formatura, em 2008. “Para frustração geral, peguei outro caminho”, afirma ela, que começará no mês que vem uma pós-graduação voltada para construção civil e gestão imobiliária.

Em dezembro do ano passado, Líbia consagrou-se a corretora que mais vendeu na imobiliária onde trabalha. Encontrou dono para 23 apartamentos. “A família e os amigos pensaram que eu ficaria só um tempo e depois cansaria dos plantões nos fins de semana e feriados. Mas, pelo contrário, me apaixonei ainda mais”, diz. As 13 horas de trabalho por dia, em média, têm rendido um bom salário, que ela não revela, mas reconhece ser maior que o de muitos servidores públicos. “E eu quero mais”, pondera.

Vida de corretor é aventura. Seis anos atrás, o farmacêutico Rafael Faria de Melo, 26, também optou por ela. Trocou o jaleco pela gravata. Largou o emprego em que ganhava R$ 1,2 mil e encarou os salários incertos. “Tinha tudo para deslanchar na área de saúde, mas sou ambicioso”, comenta Rafael, que hoje coordena uma equipe de 23 corretores e, segundo ele, chega a ganhar, em meses de lançamentos, 12 vezes mais que no trabalho anterior.

Segundo mercado

Em fevereiro deste ano, o Correio divulgou que o mercado imobiliário do Distrito Federal ultrapassou o do Rio de Janeiro e, em 2009, se consolidou como o segundo do país em faturamento e em número de unidades vendidas. Os lançamentos movimentaram R$ 11,7 milhões por dia, um total de R$ 4,3 bilhões no ano. Cerca de 14 mil unidades ganharam o mercado brasiliense.

Personagem da notícia: Corretor José Maria Pereira Cirqueira já foi porteiro, eletricista e encarregado, em Águas Claras - (Iano Andrade/CB/D.A Press )
Personagem da notícia: Corretor José Maria Pereira Cirqueira já foi porteiro, eletricista e encarregado, em Águas Claras
Escalada Radical


Ele vende apartamentos do prédio que ajudou a erguer. José Maria Pereira Cirqueira, ou simplesmente Zé Maria, nasceu em Goiânia. Depois, mudou-se para Belém, no Pará, onde se casou, teve duas filhas e trabalhou como vendedor de roupas. O negócio não deu certo e ele decidiu se mudar para o Distrito Federal em busca de emprego. No primeiro bico, como vigia de obra, ganhava R$ 450 por mês. Em seguido, virou porteiro no Sudoeste. Acabou demitido por “corte de gastos” e chorou.

Longe da família, se virou como pôde: foi padeiro, confeiteiro, cabeleireiro, eletricista. Em 2004, conseguiu ser “fichado” em uma obra de Águas Claras. Carregou tijolo, areia e suou muito para colocar de pé mais um arranha-céu do maior canteiro de obras da América Latina. Nesse meio tempo, separou-se da mulher. Transferido para o almoxarifado da obra, encantou-se com o trabalho dos corretores que visitavam o prédio inacabado. Certo dia, foi convidado por um deles a fazer o curso.

Zé Maria topou o desafio. Pediu demissão e usou o seguro-desemprego para pagar as aulas. Em 2008, celebrou a carteira profissional do Creci. Comprou calça social, sapato, mandou fazer faixas e cartões de visita, pagou anúncios no jornal e começou a trabalhar. Hoje, de ônibus e metrô, percorre o DF inteiro com uma boina na cabeça e o nome Zé Maria estampado na camisa. Em pouco mais de um ano, calcula ter vendido 32 apartamentos, inclusive no prédio onde trabalhou na construção.

O salário de R$ 450 ficou no passado. O ajudante de obra que virou corretor engorda o pé de meia a cada mês. Comprou 38 cabeças de gado, mas não quer carro nem imóvel próprio. Por quê? Em 10 anos, quando estiver com 52 anos, planeja abrir uma pousada em algum lugar do Norte ou Nordeste. Até lá, pretende economizar e vender muitos apartamentos. “Anota aí: corretor só existe porque insiste. Ninguém quer saber se eu tenho carro ou não, querem comprar imóvel, e eu vendo”, diz Zé Maria.

Picaretas atrapalham

Para não ter de pagar honorários a corretores e imobiliárias, há quem decida vender imóveis por conta própria. Na avaliação do presidente do Creci, Hermes Alcântara, muita gente não confia no trabalho do corretor. “Os picaretas mancham a nossa imagem”, afirma. Somente nos três primeiros meses deste ano, o conselho identificou 69 pessoas que exerciam a profissão ilegalmente. Sete funcionários são responsáveis pela fiscalização em todo o DF.
Quem atua como corretor sem ter o curso específico nem a carteira do Creci comete uma contravenção penal e, por isso, pode pegar de 15 dias a três meses de prisão, além de ser obrigado a pagar multa. Mas, geralmente, quando levado à delegacia, o acusado assina um termo circunstanciado e é liberado. "O primeiro erro parte do comprador, que não procura saber se aquele corretor é ou não credenciado", comenta Alcântara.

Para saber mais

Atividade exige curso

Para ser corretor, é preciso fazer um curso de técnico em transações imobiliárias — de 900 horas/aula de duração — ou um curso de nível superior em gestão de negócios imobiliários — de dois anos de duração. Em Brasília, o curso superior é oferecido pela Unieuro. Os técnicos, por seis escolas. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) oferece MBA na área.
Com o certificado do curso em mãos, é preciso fazer a inscrição no Conselho Regional de Corretores de Imóveis. A anuidade é de R$ 395. Em 12 de maio de 1978, foi aprovada a chamada Lei dos Corretores de Imóveis — Lei Federal nº 6.530 —, que regulamentou a profissão.

Dicas

Todo corretor deve ter uma carteira do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Não feche negócio com quem não seja cadastrado. Imobiliárias também precisam ser cadastradas

Exija o contrato de prestação de serviço e o leia com atenção. Verifique a documentação do imóvel e do vendedor

Fique esperto: realizar
cadastro de reserva não garante
a compra do imóvel

Peça para ler a minuta do contrato do imóvel e, se sentir necessidade, leve-a para um advogado especializado na área ou procure o Procon

Certifique-se de que as informações presentes nos folhetos entregues pelos corretores condizem com a planta apresentada, se for o caso. Guarde todo o material promocional do empreendimento

domingo, 25 de abril de 2010

Moradores de Sobradinho reclamam do atraso nas obras da BR-020


Atualizado em: Sábado, 24/04/2010 às 11:28:37


Moradores de Sobradinho reclamam da demora na conclusão das obras de restauração e duplicação de trechos da BR-20, rodovia federal que liga Brasília a Fortaleza. Iniciada no final de 2007, a obra era prevista para acabar em 350 dias. Depois de mais de dois anos, os desvios na pista continuam sendo um transtorno para os cerca de  50 mil motoristas que transitam pelo local diariamente.
São  dois os trechos com maior retenção de veículos. Um fica  próximo ao Colorado e, o outro,  na altura do Condomínio Morada dos Nobres. André dos Santos é porteiro do Condomínio e afirma que o trânsito piorou muito desde o início das obras. "Nos horários de pico, fica tudo parado. De manhã, o congestionamento começa às 6h30 e, se tiver qualquer acidente, vai até as 10h".
Como, pela manhã, o fluxo de carros é muito intenso no sentido Sobradinho/Plano Piloto, os desvios formam verdadeiros  gargalos. O fato, entretanto, é tratado com naturalidade pelo administrador regional de Sobradinho, Alexandre Yanez. "Toda obra cria um transtorno momentâneo. Mas esses desvios foram feitos para poder construir um viaduto que, quando concluído,  será totalmente benéfico", argumenta 
Mas não são somente os motoristas que sofrem com a pista. No local onde ainda só é possível encontrar a   terra mexida para a construção do terceiro viaduto, homens e mulheres se aventuram no desafio de cruzar os dois sentidos da via para chegar ao ponto de ônibus. Mas se engana quem pensa que o perigo acaba quando os pés se fixam embaixo da parada. É  bem na sinuosa curva do desvio que se encontra o ponto de ônibus, na altura do Condomínio Vivendas Serranas.
  Orçada em R$ 73,8 milhões, a obra visa melhorar o tráfego na rodovia responsável por ligar  cidades, como Sobradinho e Planaltina, ao Plano Piloto. Além do tráfego urbano, a via recebe um grande volume de veículos vindos das regiões Norte e Nordeste, com destino a outras regiões do País.
  
  As obras   iniciam no balão do Colorado e vão até Formosa (GO), totalizando 43 quilômetros. Entre o balão do Colorado (km 0) e a  saída norte de Sobradinho (km 9) era prevista a construção de três viadutos, mas apenas dois foram concluídos. Uma empresa contratada é responsável pela obra sob supervisão do DER-DF.
 
LEIA MAIS NO JORNAL DE BRASÍLIA

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

Inaugurações não aconteceram


 Distrito Federal
OBRAS
RONALD GUIDO
As fortes chuvas dos últimos dias dificultaram os trabalhos de pinturas e ipermeabilizações
Outras obras importantes como a reforma da Praça dos Três Poderes e do Clube do Choro, a revitalização da fonte luminosa vão precisar de mais tempo para ficarem prontas
25/04/2010 11h50
Priscila Rangel
priscilarangel@jornalalobrasilia.com.br
A inauguração das principais obras prometidas pelo governo para as comemorações do Aniversário de Brasília não aconteceu, porque não foram concluídas dentro do prazo. Tanto as fortes chuvas que assolaram a capital nos últimos meses, quanto as mudanças frequentes de governador e secretários de Estado são apontados como as razões dos atrasos. Apenas a Catedral estava pronta parcialmente, conforme prometido, mas outras obras importantes como a reforma da Praça dos Três Poderes e do Clube do Choro, a revitalização da fonte luminosa, a construção da feira de artesanato da Torre, vão  precisar de mais tempo para ficarem prontas.
 A Catedral, um dos principais símbolos turísticos da cidade, ficou parcialmente pronta para o aniversário de Brasília, mas os visitantes só puderam vê-la pelo lado de fora porque a abertura oficial ficou marcada para a quinta-feira (22). O piso da Catedral já está polido , o batistério e os pilares pintados, os anjos já foram recuperados e içados vários módulos de vitrais, dos 16, já foram colocados. De acordo com os responsáveis pela obra, as fortes chuvas dos últimos dias dificultaram  os trabalhos de pinturas e impermeabilizações.
 O Secretário de Obras, Jaime Alarcão, havia prometido que a Catedral estaria reaberta a partir do dia 21. “ A obra completa só deve terminar em julho, mas para o aniversário da cidade a lona vai ser retirada e os fiéis, visitantes e turistas poderão entrar”, disse. O engenheiro responsável pela obra, João Lopes, explicou que apesar da chuvas, a obra seria entregue em duas etapas. A primeira no aniversário de Brasília e a segunda dentro de poucos meses. Toda a restauração interna está pronta. Isso inclui a substituição dos vidros externos, restauração dos mármores, granitos e anjos, pintura interna, 50% da colocação dos vitrais, vindos da Alemanha, e implementação do novo sistema de acionamento dos sinos.
 Durante a segunda etapa serão recuperados o espelho d’água  e o campanário, que ficam do lado de fora do monumento. Além disso, será realizada uma ampliação da sacristia e construção de uma nova capela. A Petrobrás patrocinou a primeira etapa da reforma, junto com o GDF,  e vai arcar também com todas as despesas da segunda, que começam agora, após o aniversário da cidade.
Da Redação do Jornal Alô Brasília

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Moradores do Condomínio Mansões Colorado terão de pagar R$ 916 mil



Justiça multa o Condomínio, em Sobradinho, pelos impactos de sua construção no meio ambiente. Ainda cabe recurso contra a decisão

Helena Mader - Correio Braziliense
Publicação: 23/04/2010 08:17
Mais de 20 anos depois da construção irregular do Condomínio Mansões Colorado, em Sobradinho, a Justiça multou o parcelamento por danos ambientais. A Vara de Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal determinou que o condomínio pague R$ 916 mil como compensação pelos impactos da construção no meio ambiente. Os moradores não poderão construir, lotear ou vender novas áreas dentro do Mansões Colorado, sob pena de multa de R$ 50 mil. Ainda cabe recurso contra a decisão, publicada na edição de ontem do Diário da Justiça.

Em 1994, o GDF entrou com uma ação civil pública contra o condomínio, alegando que o parcelamento está inserido na Área de Proteção Ambiental Cafuringa. O governo também explicou à Justiça que o loteamento não respeitava a Lei nº 6.766/79, conhecida como Lei do Parcelamento do Solo. O Mansões Colorado foi construído sem licença ambiental e sem a aprovação prévia dos projetos urbanísticos.

Durante o trâmite da ação, o Condomínio Mansões Colorado alegou ter a posse da área desde 1988 e afirmou que o parcelamento do solo teria sido feito sem nenhum impacto ambiental. Os moradores da região pediram a realização de uma perícia judicial que comprovasse os supostos danos ao meio ambiente.

Em 2003, o laudo pericial foi concluído. O documento comprovou construções nas margens do córrego Paranoazinho, a degradação e a impermeabilização do solo, além da remoção de cobertura vegetal natural e a quebra do equilíbrio ecológico. Essa perícia, realizada há sete anos, estimou os custos de recuperação da área em R$ 916 mil. Esse valor ainda deve ser corrigido no momento da cobrança da multa, ou seja, o impacto no bolso dos moradores pode ser ainda maior.

O síndico do Mansões Colorado, Roberto Ximenes, disse que o condomínio ainda não foi oficialmente notificado sobre a decisão. “Vamos procurar nosso advogado para estudar quais medidas devem ser tomadas. De qualquer forma, é inviável pagar uma multa tão grande”, afirmou Ximenes. O Mansões Colorado tem 370 lotes, quase todos ocupados. O parcelamento fica próximo ao Lago Oeste, na fronteira com o Parque Nacional de Brasília.

Na sentença, o juiz Carlos Divino, da Vara de Desenvolvimento Urbano e Fundiário, destacou que nenhum parcelamento pode ser construído sem autorização do poder público. “Mesmo quando o condomínio nega a consumação de danos ambientais, em momento algum exibiu licença ambiental correspondente, que assim pudesse comprovar que estava autorizado a inovar no meio ambiente, com a abertura de sistema viário, a implantação de rede elétrica, a pavimentação e as construções em geral”, justificou o magistrado em sua decisão.

Os moradores do condomínio terão que recuperar todas as áreas ambientais danificadas e também ficam obrigados a elaborar um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad), que deve ser apresentado ao GDF em até 60 dias. Depois desse prazo, os moradores poderão receber multa de até R$ 1 mil por dia de atraso. A presidente da União dos Condomínios Horizontais, Júnia Bittencourt, lamentou a cobrança de multa. “Os grileiros fizeram o parcelamento irregular, ganharam dinheiro com isso e agora os moradores de boa-fé têm que pagar a conta”, reclama.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Brasília: 2º mercado imobiliário do país



Monitor Mercantil, 22/abr
A capital federal, que nesta quarta-feira completa 50 anos, passa por um momento bastante particular para o setor imobiliário, enquanto se consolida como segundo maior mercado do país, posição que assumiu no ano passado. Com um Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 4,2 bilhões, em 2009 Brasília superou o Rio de Janeiro. Agora a cidade fica atrás apenas da capital paulista, que ostenta um VGV de R$ 11,6 bilhões, de acordo com pesquisa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).
Em 2010, as vendas de imóveis devem crescer 20%, de acordo com estimativas do Sindicato da Indústria da Construção do Distrito Federal (SindusCon-DF). No ano passado foi registrado um crescimento de 15%, totalizando 17 mil unidades. Para o presidente do SindusCon-DF, Elson Ribeiro, nos próximos meses o foco das construtoras e incorporadoras na região estará voltado para o setor Noroeste.
"Nesta primeira etapa ainda estão sendo executadas as obras de infra-estrutura. Acredito que o impacto maior virá no segundo semestre, com o início da construção dos prédios", avalia Ribeiro. Enquanto no Rio de Janeiro e em São Paulo a busca por terrenos é feroz, em Brasília a disputa se concentra na última área do plano piloto que ainda não foi desenvolvida, o setor Noroeste. Atualmente, a interrupção temporária da liberação de alvarás para obras no local dificulta o trabalho das empresas que já adquiriram terrenos.
Segundo Luiz Henrique Rimes, diretor nacional de Negócios da João Fortes, incorporadora e construtora carioca que está presente em Brasília desde 1972, o governo local está revendo os projetos aprovados e a liberação de alvarás está suspensa desde o início de abril. "O Ministério Público está questionando a forma como foi feito o processo de aprovação dos projetos e a perspectiva é que essa revisão demore de um a dois meses", informa o executivo, ao ressaltar que a paralisação dos lançamentos na área pode elevar o custo das obras. Rimes considera que a suspensão de alvarás não terá um grande impacto para a empresa em particular, mas preocupa grupos com investimentos no local.
De acordo com o executivo, da previsão de VGV lançado de R$ 540 milhões da João Fortes para a cidade neste ano, R$ 300 milhões estão fora dessa área. "Temos cinco lançamentos previstos para Brasília em 2010, todos com terrenos já comprados" acrescenta. No ano passado, a empresa realizou três lançamentos na cidade. A João Fortes também tem participação em três torres residenciais e está negociando a compra de um terreno com VGV potencial de R$ 200 milhões na cidade satélite de Águas Claras, com expectativa de lançamento para 2011.
Renda e estabilidade
Além da renda per capita alta, praticamente o dobro da média brasileira segundo dados do IBGE, a cidade oferece a vantagem de contar com uma população que em sua maioria é integrada por funcionários públicos - fator que é visto como garantia de baixa inadimplência. Resultado de uma conjunção de fatores positivos, nos últimos nove anos a valorização média dos imóveis na capital federal foi de 20% ao ano, destaca Wildemir de Martini, diretor executivo da imobiliária Lopes Royal, filial da Lopes no Distrito Federal.
"Tudo o que imaginávamos de bom para o mercado imobiliário aconteceu. E Brasília conta com um ponto a favor em relação aos outros estados: 65% de sua massa salarial vem da área pública, uma garantia de estabilidade", diz o executivo, ao estimar que a cidade deve alcançar um VGV de 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Lúcio Costa era contra a autonomia política do DF e desvirtuamento do projeto




Agência Brasil
Publicação: 21/04/2010 11:45
Brasília como ela é surgiu primeiro na cabeça do urbanista, arquiteto e professor Lúcio Costa. Foi ele que em 1957, com o “gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse” riscou dois traços e concebeu os eixos do projeto que apresentou à comissão julgadora que deveria escolher o Plano Piloto da nova capital do Brasil.

Brasília é portanto “filha” do gênio de Lúcio Costa que nasceu na França, morou na Inglaterra e na Suíça e na juventude estudou arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Lúcio Costa (morto em 1998) foi pai de Helena e Maria Elisa, esta também arquiteta e defensora ferrenha do projeto do pai.

Maria Elisa concedeu entrevista por escrito à Agência Brasil sobre os problemas urbanos da capital federal, que hoje faz 50 anos. Ela explica porque o pai era contra a autonomia política do Distrito Federal.

Agência Brasil - Após a inauguração de Brasília, temia-se a reversibilidade da transferência da capital federal. Foi a qualidade do projeto que garantiu a permanência?
Maria Elisa - Seguramente o projeto urbano de Lúcio Costa contribuiu para que a transferência da capital fosse definitiva: era exequível em três anos, era bela e capaz de se impor ao Brasil desde o primeiro momento como capital do país. Com a criação das superquadras, propôs um novo modo de morar que, sendo inovador, não assustava as pessoas. Mas a mudança da capital só foi possível porque houve uma incrível convergência de todos para dar conta do recado – do presidente ao mais modesto dos peões.

ABr - No texto Brasília revisitada (de 1985), Lúcio Costa diz ser surpreendente “a semelhança entre o que existe e a concepção original” naquela cidade que então tinha 25 anos. Essa semelhança permanece aos 50 anos? Hoje o que parece mais ameaçador ao projeto do urbanista?
Maria Elisa - Permanece e permanecerá ao longo do tempo – desde que o Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] providencie logo a definição do limite do entorno da área tombada como sendo o divisor de águas da Bacia do Paranoá, evitando assim que o Plano Piloto acabe separado do seu horizonte por uma paliçada de torres de 30 andares.

ABr – Por que Lúcio Costa dizia que não interessava a Brasília ser grande metrópole”? A situação que vivemos hoje com 2 milhões de habitantes e mais 1 milhão no entorno era o que ele temia?Maria Elisa - A mim parece tão claro: qual seria o interesse, para a capital de um país, de ser grande metrópole? Ou seja, não há nenhuma vantagem em investir nessa direção. A expansão urbana do DF não teve planejamento, aconteceu como em todas as cidades brasileiras. É bom não confundir as coisas: O Plano Piloto, protegido pelo tombamento, é a âncora que JK lançou para ancorar o Brasil no Planalto Central, e nele o mercado não manda, obedece (por isso tanta pressão contra o tombamento). O restante da área urbana crescerá ao sabor das circunstâncias e pressões, gerenciadas como as demais cidades brasileiras.

ABr - No memorial do Plano Piloto (1957), Lúcio Costa escreveu que o automóvel “deixou se ser inimigo inconciliável de homem” e só readquire “feição ameaçadora e hostil quando incorporado à massa anônima do tráfego”. Aos 50 anos, Brasília passou a ter problemas de tráfego. A solução urbana para isso tem sido, até agora, duplicar pistas. Que solução lhe parece ideal em conformidade à proposta original de urbanização da cidade?
Maria Elisa - O ideal mesmo seria propor fontes de trabalho e emprego fora do Plano Piloto, para desconcentrar a demanda. Se o tráfego ficar complicado demais, as pessoas acabarão se acostumando a usar o transporte coletivo; e se as pessoas de um modo geral, e não apenas o povão,  começar a usar o transporte coletivo, ele acaba melhorando...

ABr - O que está fora do esquadro de Lúcio Costa e precisa ser resolvido? Há alternativas para problemas como as invasões nos fundos das comerciais locais do Plano Piloto?
Maria Elisa - Insisto numa proposta que fiz há mais de dez anos: considerar o limite da ocupação construída como sendo o limite da marquise do lado da quadra nos dois andares. Se for comércio abrindo também para a quadra, fachada livre; se for tipo fundo de quintal, combogó de quadradinho (como nos blocos antigos das superquadras da Asa Sul) em toda a altura. Além desse limite, só toldos ou ombrelones. Deve se dar um prazo para a adequação, depois multas crescentes, depois penhora, algo por aí.

ABr - Por ser o ponto de cruzamento dos eixos e ter um “caráter gregário”, a rodoviária é uma solução fundamental contida no Plano Piloto. Hoje, no entanto, depois de diversas administrações e reformas, a rodoviária, sempre suja e poluída, não parece ter nenhum atrativo ao passeio do visitante e há pouca possibilidade de convivência lá entre as classes que habitam a cidade. Como revitalizar aquele espaço?
Maria Elisa - É questão de manutenção, ou seja, de administração pública. Cidades precisam mais de prefeitos (ou seja, de boas “governantas”) do que de governadores.

ABr - No texto Registro de uma vivência (1967), Lúcio Costa fala em “pseudo cidades satélites”. Mais adiante, em uma entrevista em 1984, ele diz que as satélites são “cidades normais do interior do Brasil, que têm de tudo e se vive de forma bem brasileira”. Como seriam as satélites na ideia original? O que temos hoje está muito longe disso?
Maria Elisa - Nunca houve 'satélites na utopia original', apenas o edital do concurso previa o desenvolvimento urbano se processando através de cidades satélites (como estava na moda em toda parte, entre os urbanistas da época), sendo que essas cidades satélites, em tese, se desenvolveriam depois de completamente ocupado o Plano Piloto; mas a realidade social brasileira fez com que as satélites se desenvolvessem primeiro, e como sua implantação foi acontecendo sem nenhum  planejamento regional, o resultado é exatamente o que Lúcio diz: “cidades normais do interior do Brasil, que têm de tudo e se vive de forma bem brasileira”.

ABr- Na mesma entrevista, Lúcio Costa afirma que “a criação de uma câmara de vereadores aqui seria um desastre (…) Se o governador é eleito aí e aquela enxurrada de interesseiros que, depois de eleitos, começam a facilitar a vida dos amigos...” Como avalia os recentes escândalos no DF? Quanto isso contribuiu para desvirtuar as concepções originais sobre a cidade e, se foi o caso, afetar a qualidade de vida de quem mora aqui?
Maria Elisa - Assisti a essa entrevista, concedida ao Jornal do Brasil, no Saguão do Hotel Nacional, num começo de noite em 1984, ou seja, no início da volta à democracia. Lembro que tomei um susto com a tranquilidade com que meu pai falou da eleição de governador, naquela altura dos acontecimentos... O que a gente esquece, é que durante todo o tempo em que o Rio foi capital, o DF não era um estado, como o nome indica, era um Distrito Federal, administrado por um prefeito nomeado pelo presidente da República para tomar conta da casa (e não para fazer política), e havia uma câmara de vereadores. Na entrevista, Lúcio chegou a sugerir que a população de Brasília se fizesse representar de outra forma, por exemplo através das associações de moradores. Como avalio os escândalos no DF? Lamentáveis, mas não exclusivos do DF. Além da inacreditável desfaçatez, no DF aparecem mais por conta do palco que Brasília é. Mas a cidade de Brasília propriamente dita, os moradores normais da cidade, não tem nada a ver com isso! Brasília é, apenas, a capital do Brasil (e não da Suécia, com também sempre dizia o Dr. Lúcio...). O DF ter sido transformado em estado, sem ter como se sustentar criou uma situação ambígua, e de difícil solução. A título de exemplo: governador precisa de voto, então dá lotes (abre um rua com o trator e pronto), o que atrai gente; e quem paga o custo da infra-estrutura? É mamãe federal... Por outro lado, se hoje é permitido votar para governador, será que as pessoas aceitariam, perder esse direito? Talvez a solução seja um prefeito eleito, as associações de moradores representando a população, e uma reformulação da legislação relativa à administração do DF.

ABr - A senhora viveu na cidade nos anos 1980. Como foi viver em uma cidade criada pelo próprio pai?
Maria Elisa - Nunca tive casa minha em Brasília (minha única morada na vida sempre foi o Rio de Janeiro); nas temporadas que passei na cidade (desde 1961 até hoje) morei em casa de duas cunhadas, ambas em superquadras. Nos anos 60 e início dos 70, quando eu ia a Brasília, tinha a inevitável sensação de estar andando em cima de um projeto. Depois, à medida em que a cidade foi tomando corpo e consolidando sua identidade prórpria, essa impressão foi se dissipando, até acabar por completo. Brasília para mim hoje, é tão “projeto” quanto Paris.