segunda-feira, 19 de abril de 2010

IBGE lança livro sobre a criação de Brasília




Agência Brasil
Publicação: 19/04/2010 18:26
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) lançou hoje (19) um livro que reúne estudos e documentos sobre a fundação de Brasília. O livro Veredas de Brasília, que marca o 50º aniversário da capital brasileira, relata, por exemplo, as expedições e os caminhos que levaram à escolha do local da capital do país.

O livro revela que a transferência da capital do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste era cogitada desde o período colonial e ganhou força com as constituições de 1946 e 1948. As análises feitas por técnicos e cientistas sobre a situação de possíveis futuras sedes fortaleceram a escolha.

“Em um primeiro momento a ideia era de transferência [da capital] para um ponto central que levaria progresso para os sertões e ampliaria o mapa político do Brasil. E junto com isso, estava o apontamento do Rio de Janeiro como uma cidade insalubre”, lembra uma das autoras da publicação, Nísia Trindade Lima, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Nísia Trindade disse que as primeiras comissões de técnicos revelaram o aspecto paradisíaco dos sertões goianos ou o Coração do Brasil, como era chamada a região do Planalto Central. A autora destaca ainda a polêmica em torno da decisão. Segundo ela, outra comissão, formada por cientistas da Fiocruz, revelou um cenário diferente sobre o Planalto Central, alertando para o problema da doença de Chagas na região. Isso teria aguçado a disputa por outros locais que poderiam sediar a capital, como o Triângulo Mineiro.

Mas o Planalto Central acabou sendo a escolha definitiva, na década de 50, antes mesmo da posse do então presidente Juscelino Kubitschek, pois o que estava em questão era interiorização da capital do país.

O organizador do livro, Nelson Senra, defende que “enquanto desenvolvimento do interior do país, a escolha foi um acerto. [Brasília] Foi uma cabeça de ponte importante para estimular uma nova população entrando pelo território, novas estradas integrando todas as regiões do país. Nesse sentido a interiorização foi importante”.

O pesquisador, no entanto, questiona a necessidade de se construir uma nova cidade para receber a capital. O fundador do IBGE, Teixeira de Freitas, citado na publicação, dizia que não era necessário e que poderia transferir a capital do país para Belo Horizonte, pensando em uma nova divisão do território nacional.

Mesmo sem unanimidade na resposta a essa questão, os pesquisadores que participaram da edição de Veredas de Brasília concordam que a cidade deu ao país um saldo muito positivo, com a interiorização da população, o povoamento, aumento da ocupação e a integração das regiões.

domingo, 18 de abril de 2010

Ministério Público protocola ação na Justiça pedindo a suspensão das construções do Noroeste




Mariana Moreira
Publicação: 18/04/2010 07:46 Atualização: 18/04/2010 09:07 - Correio Braziliense
A construção do Noroeste, bairro de classe média-alta do Plano Piloto, está novamente sendo questionada. Na sexta-feira última, a Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ajuizou ação cautelar na Justiça, pedindo a paralisação imediata das obras de infraestrutura no local. A ação também pede que não sejam expedidos alvarás para as construções previstas no setor. De acordo com a promotoria, uma área do Noroeste está localizada em local diferente do previsto no projeto de Lucio Costa, invadindo área tombada.

Segundo a assessoria de imprensa da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), o órgão só irá se manifestar assim que receber um comunicado oficial sobre uma decisão judicial. A companhia afirma, porém, estar preparada para lidar com as ações e ressalta que, desde 2008, foi vitoriosa em todas as questões judiciais relativas ao Noroeste.

Há quatro anos, organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente abastecem o Ministério Público com denúncias de possíveis irregularidades ligadas às obras no local. A urbanização da área estaria, inclusive, afetando o Parque Ecológico Burle Marx. No lugar da vegetação nativa do cerrado, foram construídos lagos para a contenção das águas das chuvas. “O certo seria fazerem galerias de águas pluviais, mas sairia mais caro”, afirma a geógrafa e integrante do Fórum de Ongs Ambientalistas do DF Mara Moscoso.

Segundo ela, a enxurrada que inundou a garagem de um prédio na 911 Norte, no começo deste mês, já seria uma consequência do desmatamento no Parque Burle Marx. “A terra já havia sido remexida naquela área. Quando choveu, formou-se uma cachoeira de lama”, explicou.

Índios
Esta não é a primeira dificuldade que o governo enfrenta para erguer o Noroeste. Em novembro passado, as obras no local foram paralisadas depois que uma ação civil do Ministério Público impediu qualquer empreendimento dentro da área de 12 hectares reivindicada pela comunidade indígena Bananal/Santuário dos Pajés. No mês seguinte, a construção dos lagos de contenção de águas pluviais também foi paralisada.

O Setor Noroeste terá 220 prédios residenciais distribuídos e 198 unidades comerciais. O urbanista Lucio Costa previu o setor no documento Brasília Revisitada, de 1987. Desde então, o governo e os empresários investiram para a elaboração dos estudos de impacto ambiental e dos projetos urbanísticos até que o bairro fosse lançado, em janeiro do ano passado.

OS NÚMEROS
220 - Total de prédios residenciais previstos para o Setor Noroeste
198 - Quantidade de edifícios comerciais que serão erguidos no bairr

sábado, 17 de abril de 2010

Parlamentares elegem Rogério Rosso o novo governador do DF




Ana Elisa Santana
Débora Álvares
Publicação: 17/04/2010 18:40 Atualização: 17/04/2010 19:00
Rogério Rosso é o novo governador do Distrito Federal. Ele foi eleito na tarde deste sábado (17/4), em sessão extraordinária da Câmara Legislativa com 13 votos a favor, número mínimo necessário para que não houvesse segundo turno. 

Votaram no candidato peemedebista os deputados Aguinaldo de Jesus, Alírio Neto, Ailton Gomes, Batista das Coopertativas, Benedito Domingos, Benício Tavares, Cristiano Araújo, Dr. Charles, Eurides Brito, Geraldo Naves, Pedro do Ovo, Rogério Ulysses e Roney Nemer.

Wilson Lima, inicialmente cotado como favorito a vencer o pleito, recebeu apenas quatro votos, dos distritais Jaqueline Roriz, Milton Barbosa, Paulo Roriz e Raimundo Ribeiro. O candidato petista teve a preferência de seis dos parlamentares: Chico Leite, Eliana Pedrosa, Érika Kokay, Paulo Tadeu, Reguffe e Cabo Patrício.

O deputado Raad Massouh absteve-se na votação.

Rogério Rosso passa a ser o chefe do executivo local até o dia 31 de dezembro. A nova vice-governadora é Ivelise Longhi. Na próxima segunda-feira (19/4), haverá sessão solene na Câmara Legislativa, às 10h, para a tomada de possedo novo governador

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Especial Brasília 50 anos: Crescimento para o sul


Blog: Rede Integrada de Transporte Coletivo

13/04/2010

O metrô do Distrito Federal passa por expansões. Até 2010 terá cinco estações inauguradas e 48 novos vagões. A estimativa é aumentar o número de passageiros de 160 mil para 350 mil por dia. “O crescimento favorece só o lado da Asa Sul. Moro numa cidade pra lá da Asa Norte e fiquei decepcionada com a informação”, reclama Cecília Araújo, 31 anos, analista de sistemas que trabalha no Plano Piloto e comprou um carro para se deslocar de casa ao serviço. O Secretário dos Transportes, Alberto Fraga, diz que o metrô e o VLT já têm trechos programados para a Asa Norte, porém, não fazem parte dos trajetos previstos na primeira etapa. “Achei que o VLT preencheria essa falha”, lamenta Cecília. A primeira linha do Veículo Leve sobre Trilhos irá ligar o Aeroporto Juscelino Kubitschek ao Terminal da Asa Sul, percorrendo a W 3 na Asa Sul, um dos trechos mais congestionadas do DF, pelo qual passam 60 mil carros e 800 ônibus por dia. O VLT pretende retirar 30% dos carros daquela rodovia para aliviar o trânsito.

“O metrô oferece vantagens. Além da economia de tempo, eu não preciso procurar estacionamento, não tenho que pagar o flanelinha nem correr o risco de ter o carro roubado. Andando de metrô também criei o hábito da leitura. No ano passado, li 18 livros. Mas o metrô precisa de melhorias, como ampliar a linha para outras regiões, tarifa mais baixa, redução do tempo de espera nas estações, boa ventilação interna e funcionários treinados para evitar a superlotação", diz Natália Morato, 25 anos, analista de ciência e tecnologia.

Investimento nas calçadas

A cidade começa a abrir espaço para quem quer caminhar com qualidade. “O crescimento urbano deixou o pedestre em segundo plano. A ideia é devolver a ele o devido lugar”, diz Marcia Muniz, engenheira civil e coordenadora técnica da Comissão Permanente de Acessibilidade do Distrito Federal. Nos últimos três anos, foram recuperados 30 km de calçadas no Plano Piloto e construídos 200 km de novas calçadas no Distrito Federal. A comissão visa também tornar a cidade mais humana e convidativa para caminhadas plantando árvores próximas ao meio-fio, proporcionando boa iluminação noturna e aumentando as faixas de pedestres. Na opinião do professor Joaquim Aragão Andrade, é preciso construir, mas também fiscalizar: “Muitas calçadas são aproveitadas como extensão de restaurantes. Precisamos de uma gestão, sim, mas com fiscalização severa”. os trens.”

“O trânsito em Brasília é estressante. Prefiro usar os sapatos como meio de transporte. Vou ao trabalho e volto para casa caminhando e não acho que de ônibus seria mais rápido por causa do congestionamento. A pé, estou fazendo um bem para mim e para o coletivo. Acredito que as pessoas não caminhem em Brasília por uma questão cultural, mas também concordo que faltam investimentos para a melhoria das calçadas.”diz Mauro Burlamaqui, 43 anos, fotógrafo e jornalista, caminha diariamente 8 km.

Ciclovias integradas

O projeto Pedala DF tem o ambicioso objetivo de construir 600 km de ciclovias, 300 km até 2010, transformando Brasília na cidade com pista mais extensa do país. “Porém, para que a bicicleta seja um veículo de locomoção efetivo, é preciso que haja pontos de integração com os principais transportes públicos”, opina Leonardo Firme, urbanista do projeto. A questão foi avaliada e serão criados 11 bicicletários em estações de metrô, pontos de ônibus e de VLT. “Assim, a bicicleta poderá ajudar na melhoria da mobilidade urbana, mais especificamente em trajetos pequenos e nas vias transversais às principais avenidas do Plano Piloto, com bastante demanda e carente de transportes públicos”, explica Cassio Taniguchi, lembrando que Brasília é uma cidade plana, com períodos de seca bem estabelecidos e, portanto, muito oportuna para o ciclismo.

“Adotei a bicicleta como meio de transporte por me oferecer mobilidade superior quando comparada a qualquer outro meio no horário de pico. Os problemas que encontro são a falta de ciclovias, o desrespeito dos motoristas com a bicicleta e até mesmo o preconceito contra o ciclista. No meu trabalho, os seguranças criam dificuldades para que eu entre de bermuda no prédio e possa chegar ao banheiro mais próximo e mudar de roupa.” diz Ronaldo Alves Monteiro, 53 anos, servidor público, vai ao trabalho e volta para casa de bicicleta.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Inundações fazem moradores de Vicente Pires venderem imóveis a preços baixos


Toda vez que chove é o mesmo drama: a água desce toda para a via mais baixa da cidade e inunda as casas

Saulo Araújo
Publicação: 12/04/2010 08:29
Num só dia, havia 17 faixas de oferta de lotes e casas na Rua 3 - (Fotos: Breno Fortes/CB/D.A Press
)
Num só dia, havia 17 faixas de oferta de lotes e casas na Rua 3
“Vendo.” Essa é a palavra mais comum na Rua 3 de Vicente Pires. Andando pela avenida, uma das principais da cidade, é possível encontrar 17 faixas ofertando imóveis. A explicação para tanta gente querendo mudar de endereço é uma só: quando chove, as casas são inundadas. Os problemas causados pela força da água são antigos em Vicente Pires, mas a situação da Rua 3 se agrava pelo fato de ela ser a mais baixa.

A água de todas as quadras desemboca justamente no local. Sem perspectivas de melhoria, os moradores anunciam suas casas por até 40% abaixo do valor de mercado e, mesmo assim, encontram dificuldades para achar interessados. O vendedor Paulo Lopes, 46 anos, há seis meses tenta vender um lote e uma residência na rua. Ele conta que recebe muitas ligações durante o dia, mas as pessoas sempre desistem do negócio quando são informadas do endereço. “Ou desistem ou querem pagar um preço muito baixo, que não vale a pena vender. O problema com a chuva desvalorizou muito os imóveis daqui. Uma casa de quatro quartos e suíte, na Rua 3, vale a metade de uma de dois quartos e com apenas um banheiro em outro lugar de Vicente Pires”, compara Paulo.

O motorista Josian Pereira, 34 anos, está amadurecendo a ideia de sair de Vicente Pires para outro lugar. Também morador da Rua 3, ele diz que os gastos com os reparos na residência são altos. “Nós, os moradores, é que temos que fazer alguma coisa para que a chuva não invada nossas casas. A situação está ficando insustentável. Estou pensando seriamente em anunciar minha casa e sair daqui”, afirma.

Irregular
Os transtornos não são exclusividade da Rua 3. Percorrendo as ruas do parcelamento, nota-se que quase todas possuem o solo destruído pela ação da água. Em alguns, como a Rua 10, uma cratera engoliu parte do asfalto. Com apenas metade da pista transitável, os motoristas passam devagar próximo ao buraco, pois qualquer manobra errada pode acabar em acidente. O administrador da cidade, Márcio José de Melo, visitou o lugar esta semana.

Acompanhado de três engenheiros, ele chegou à conclusão de que a primeira providência para minimizar o problema é tapar o buraco da Rua 4, pois é por ali que a água da chuva se concentra e segue com força para a Rua 3. A ideia é fazer com que essa água seja captada por manilhas e siga seu curso sem causar danos. Porém, por Vicente Pires ser um parcelamento irregular, a obra depende de autorização do Instituto Brasília Ambiental (Ibram). “É uma obra emergencial. Já enviamos o pedido ao Ibram e, ao recebermos o aval do órgão, colocaremos as máquinas para trabalhar de imediato”, afirmou o administrador, que assumiu o cargo há uma semana.

As autoridades afirmam que esse é o preço que os moradores pagam pela ocupação desordenada do solo. O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gustavo Souto Maio, ressalta que as residências construídas à revelia da lei causaram um impacto ambiental muito grande na região e, enquanto a regularização não sair — Vicente Pires é um dos parcelamentos que estão na lista de regularização do GDF — pouca coisa pode ser feita.

“Sabemos de todos os problemas causados pela chuva em Vicente Pires, mas é uma situação delicada por se tratar de uma região irregular. Não podemos fazer muita coisa naquela região porque se não o Ministério Público nos cobra explicações. Se nós autorizarmos uma benfeitoria na Rua 4, teremos que liberar para as demais áreas de Vicente Pires, que também carecem de infraestrutura”, justifica Souto Maior, que enfatiza que qualquer melhoria em áreas carentes de regularização depende do estudo de impacto ambiental do Grupo de Análise e Aprovação de Parcelamentos do Solo e Projetos Habitacionais (Grupar). “Estamos aguardando o parecer do Grupar para saber o que podemos fazer nessas áreas. Saber como ficarão as casas situadas em Área de Preservação Permanente.

Segundo a gerente de regularização do Grupar, Eneida Aviani,o resultado dessa análise deve ser divulgado em breve. “O estudo em fase final de análise da elaboração do resultado e, quando estiver pronto, encaminharemos ao Ibram”, resumiu Eneida.

Enquanto a situação da cidade continua indefinida, os moradores procuram alternativas para diminuir os prejuízos causados pela chuva. Os proprietários das chácaras situadas às margens da avenida da Rua 3 reforçaram os muros de sua propriedade e discordam dos argumentos do governo. “O mais engraçado é que falam que não podem fazer nada em Vicente Pires porque é irregular, mas há mais de três anos que eu pago IPTU, água e luz”, reclama o servidor público Leonardo Alcântara da Silva, 36 anos.

Proteção

As Áreas de Preservação Permanente são de grande importância ecológica, cobertas ou não por vegetação nativa. Elas preservam os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, protegem o solo e asseguram o bem-estar da população. Como exemplo de APP estão as áreas de mananciais, as encostas
e as matas.




domingo, 11 de abril de 2010

Mais cor e vida para Taguatinga


PRAÇA DO RELÓGIO
11/04/2010 08h00
Allan Costa
A nova Fonte Cibernética da Praça do Relógio em Taguatinga, tem atraído a atenção dos moradores e visitantes que passam pelo local. Além de se tornar um ponto turístico na cidade, a construção da fonte deu mais vida para a praça e diminuiu o número de mendigos e vândalos na região. Ligada durante o dia todo ao som de músicas instrumentais, o monumento virou um atrativo para o público. Além disso, deu uma outra imagem para o local e para a cidade.

A fonte foi construída com o intuito de revitalizar o espaço, inibir atos de vandalismo e uso de drogas. Além disso, o local passou a servir como atrativo para os moradores da cidade e de todo o DF. Controlada de forma digital, a água executa movimentos de acordo com a música tocada e as cores exibidas a cada instante. “A fonte luminosa trouxe um pouco do Plano Piloto para Taguatinga. Os moradores ficaram felizes com essa novidade na cidade”, disse o administrador da cidade, Gilvando Galdino.

Para quem passa pelo local, é inevitável admirar. “Ficou muito bonita. A praça precisava de uma valorização assim. Ajudou a melhorar a imagem de quem passa por aqui. Além disso, as crianças ficam encantadas com a água e a música”, declarou a manicure Janaína Cristina Alves, 26 anos. “É uma valorização para a cidade. Diminuiu o número de pedintes que ficavam aqui. E isso é muito bom para os moradores, pois aumenta a segurança”, frisou a dona de casa Edilma Mares, 43 anos.

Entretanto, além da praça, os moradores da cidade deverão ser beneficiados ainda com a implantação de um posto policial e o reforço na iluminação pública, que deve deixar o espaço mais seguro. Também está previsto um projeto para feirantes de artesanatos que vão expor e vender materiais com símbolos de Taguatinga. “Com a construção da fonte até os vendedores ambulantes acabaram ganhando. Conseguimos aumentar nossas vendas. As pessoas passam para ver e sempre acabam fazendo um lanche”, comentou a salgadeira Amélia Porto, 35 anos.

A modernização da Praça do Relógio custou aos cofres públicos R$ 700 mil. Planejada pela Secretaria de Obras da Administração Regional de Taguatinga, a reforma começou em janeiro e foi inaugurada no mês passado.
Da redação do Jornal Alô Brasília

sábado, 10 de abril de 2010

Viadutos inacabados na BR-06


CORREIO BRAZILIENSE - DF | CIDADES
DNIT - 09/04/2010

Não há previsão para a retomada da obra em dois pontos de ligação da estrada com vias doDF, uma em Samambaia e outra perto do Gama
» NAIRA TRINDADE

As obras de dois viadutos na BR-060 (Brasília-Goiânia), avaliados em mais de R$ 10 milhões, estão paralisadas há pelo menos quatro meses à espera de transferência de uma rede elétrica e regularização judicial. No primeiro ponto, no entroncamento com a DF-180, na altura de Samambaia, as chuvas fortes transformaram a parte inferior do viaduto, que ainda não possui capa asfáltica, em um verdadeiro lamaçal. Mais adiante, na junção da BR-060 com a DF-290, no Núcleo Rural Engenho das Lages, no Gama, motoristas sofrem com engarrafamentos.

Ambos estão incluídos num projeto de recuperação da RODOVIA, que se arrasta desde 1999. De acordo com o diretorgeral do Departamento de ESTRADAS de Rodagem (DER) do Distrito Federal, Luiz Carlos Tanezini, não há previsão para a retomada e a conclusão das obras.

A novela que envolve os dois viadutos ao longo da BR-060 tem capítulos diferentes. O último episódio que justifica a paralisação do primeiro entroncamento com a DF-180 é a proximidade entre uma das pistas da estrutrura e a rede de energia elétrica. A construção da parte superior da via está pronta. Carros, motos e carretas usam a RODOVIA nesse ponto. No entanto, quem vem do Gama pela DF-180 sofre com a situação da parte inferior, que está apenas no esqueleto. Sem asfalto, as chuvas formam valas desniveladas na lama. Alguns motoristas mais destemidos se arriscam a ultrapassar no trecho inacabado, embora, teoricamente, ele esteja interditado.

Caminhões pesados carregados descem as alças do viaduto sem asfalto para fazer o retorno na pista. Apesar de o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) garantir que não há riscos de desmoronamento nas laterais não finalizadas, o Correio flagrou veículos em situações de perigo durante as cerca de duas horas que permaneceu no local. O cuidado deve ser tomado também pela principal razão da interrupção da obra: choque elétrico. A conclusão do trecho depende da remoção de uma rede de transmissão de energia de 138 mil volts, que ficou perto da RODOVIA devido ao alargamento da pista. "É a rede que abastece Santa Maria, Monjolo e parte do Gama. A transferência é um processo de engenharia civil complexo. A licitação demorou mais que o normal por ser difícil encontrar empresas especializadas", contou o diretor de Engenharia da Companhia Energética de Brasília (CEB), Antônio de Pádua Gonçalves Novaes.

Segundo Novaes, os veículos precisam de uma distância de segurança da rede de energia. "Naquele viaduto, a distância não é segura. A insistência em utilizar a via pode resultar num ACIDENTE de descarga elétrica fatal", pontuou.

"Mas contratamos uma empreiteira para a realização das obras, que devem terminar em 90 dias", adiantou. A mudança de local do ponto de transmissão deve custar R$ 800 mil ao governo federal.

Procurada pelo Correio, a Trier Engenharia, responsável pela edificação da bifurcação da DF-180, não retornou as ligações para comentar as razões de a modificação não estar prevista no projeto licitado inicialmente

Orçamento O complexo da BR-060 que passa por revitalização conta com 60km (30km em cada sentido). Estão previstos três viadutos, um no entroncamento da DF-280, outro na DF-180 e também na DF-290. Apenas o primeiro está concluído. O custo de toda a recuperação está orçado em R$ 70 milhões.

Contaminação O imbróglio sobre o viaduto da BR-060 com a DF-290 envolve órgãos ambientais. No fim do ano passado, a empreiteira Premenge, responsável pela edificação do viaduto, recebeu multa de R$ 101.790 por ter deixado vazar asfalto para um córrego na divisa entre o DF e Goiás. A obra acabou embargada e os serviços só foram retomados após a completa limpeza do manancial. O ACIDENTE deixou os 5 mil moradores do Núcleo Rural Engenho das Lajes por mais de 40 dias sem água potável encanada. Um caminhãopipa da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), custeado pela Premenge, abasteceu a comunidade até 1º de fevereiro.

Eram necessários cerca de 30 carregamentos por dia.

Para a liberação do manancial, a Caesb avaliou quatro laudos diferentes emitidos por laboratórios de São Paulo, Goiânia e de Brasília.

O asfalto diluído de petróleo é tóxico e pode causar vários males

Punição A Lei Federal nº 9.605/98 regulamenta as sanções penais e administrativas aos responsáveis por danos à natureza. Entre outras determinações, a legislação prevê multa e prisão de um a quatro anos em caso de poluição do meio ambiente que possa causar danos à saúde das pessoas e morte de animais e de plantas.

à saúde. Além de cancerígena, a inalação pode provocar dor de cabeça e náuseas, a fumaça em contato com a pele pode desenvolver dermatite, e o contato direto com o produto, queimaduras.

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) chegou a registrar ocorrência na Delegacia Especial do Meio Ambiente (Dema) responsabilizando os técnicos da Premenge pelo ACIDENTE.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também vistoriou a área. Em dezembro, a equipe orientou funcionários da empreiteira sobre como conter o óleo e limpar as partes próximas à obra.

No mês passado, após a descontaminação do rio, antes da liberação da obra, o órgão voltou a embargála, alegando que a construção do viaduto não consta no edital de recuperação da estrada. A multa, desta vez, chegou a R$ 1 milhão.

"Como vamos construir um trecho de ligação de vários pontos de mão dupla sem a construção de um viaduto? Recorremos contra a notificação e esperamos a decisão", contou Tanezini, diretor-geral do DER.

Advogado a Premenge, Leo Rocha Miranda explica que a empresa recorreu das notificações, mas que, devido à greve do Ibama, não recebeu nenhuma resposta