sábado, 3 de abril de 2010

Sem revitalização, Setor Comercial Sul está praticamente abandonado


Asa Sul »
O local, que já foi o principal ponto de escritórios do Plano, hoje sofre com a decadência urbana. Prédios e praças não têm manutenção

Mara Puljiz - Correio Braziliense
Publicação: 03/04/2010 08:32 Atualização: 03/04/2010 11:08
Quando passa entre as praças e edifícios do Setor Comercial Sul, o aposentado José Aldemir Holanda, 66 anos, não se conforma com as inúmeras pichações, a sujeira, infiltração nas paredes dos blocos, carros em fila dupla, tripla e os estacionamentos tomados por flanelinhas. A quantidade de moradores de rua deitados pelas calçadas e pedintes também assusta. O tempo em que José podia caminhar por ali com tranquilidade — há cerca de 20 anos — ficou mesmo no passado. “Trabalhei como bancário no Setor Comercial Sul durante muitos anos, mas naquela época eu conseguia estacionar o carro e tomar cerveja com os amigos depois do serviço. Fazer isso hoje em dia nem pensar”, lamentou.

Mas o setor um dia teve seu glamour. Nas décadas de 60 e 70, os edifícios espalhados pelo local eram procurados por várias autoridades que queriam montar seus escritórios. Até mesmo o ex-presidente Juscelino Kubitschek tinha uma sala no Edifício Denasa, na quadra 2. Hoje, não é difícil encontrar empresários migrando para outros setores menos movimentados, porém, mais seguros e organizados. Parte da beleza característica do Setor Comercial Sul, projetado pelo urbanista Lúcio Costa, também desapareceu. Quem olha para a maioria dos prédios se depara com uma pintura apagada e paredes manchadas pela água da chuva e do ar-condicionado.

Mais de 50 mil pessoas circulam todos os dias pelas calçadas que estão entre as mais antigas da capital federal. É gente de todo o tipo, de todas as classes sociais e credos que transitam diariamente pelos 40 mil metros quadrados do setor. A vida não para no Setor Comercial Sul. O movimento no comércio começa antes mesmo das 6h e só esfria depois das 18h, quando a correria abre espaço para os perigos da vida noturna. Traficantes se escondem pelos becos e a prostituição toma conta dos corredores dos edifícios. Segundo o comandante da Polícia Militar do DF, coronel Luiz Fonseca, as operações ocorrem com frequência.

Entre as questões mais difíceis está o tratamento com o menor infrator autores de furtos na localidade. “A polícia faz o papel dela, mas nosso trabalho é de enxugar gelo porque 80% daqueles que são levados para a delegacia acabam sendo soltos”, disse. Muito mais que a repressão contra as drogas, Fonseca avalia que a situação não vai mudar enquanto o Estado não encarar o problema como saúde pública e encaminhar esses jovens para tratamento do vício.

Quando se pensa em Setor Comercial Sul, difícil não lembrar do trânsito complicado. Estacionar é uma missão difícil e muitas pessoas não encontram outra alternativa a não ser entregar a chave para os flanelinhas. Em 2008, o governo anunciou a criação de 1,5 mil vagas subterrâneas de estacionamento, mas o projeto até agora não saiu do papel.

A três semanas de completar 50 anos, Brasília não deverá cumprir todas as promessas de revitalização. No Setor Comercial Sul, apenas duas obras estão em execução: a de renovação do meio -fio, calçadas e plantio de plantas nas praças. Mas os comerciantes e lojistas reclamam dos transtornos causados em razão das obras. As calçadas antigas, por exemplo, começaram a ser trocadas no ano passado, mas até agora apenas a área central foi concluída.

O prefeito comunitário, Fernando Raposo, reconhece que ainda é preciso fazer muito para revitalizar o setor, mas fez questão de lembrar que já conta com algumas melhorias, principalmente no que se refere à presença de camelôs e à acessibilidade no local. “Desde 2008, não tem mais ambulante obstruindo a passagem de pedestres”, destacou. De acordo com a administradora de Brasília, Eliana Klarmann, a primeira etapa de revitalização inclui melhoria da iluminação, das calçadas e plantio de árvores. “Queremos trazer um novo dinamismo para o Setor Comercial Sul, respeitando o projeto original. Mas algumas questões não dependem apenas da administração”, destacou. Ela acredita que esses trabalhos sejam concluídos até 21 de abril, quando a capital completa seu cinquentenário.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Obras de infraestrutura do Parque Tecnológico são inauguradas nesta quarta




Publicação: 31/03/2010 17:09 Atualização: 31/03/2010 17:10
O processo de construção do Parque Tecnológico Capital Digital, próximo à Granja do Torto e à residência oficial do presidente da república, teve início na manhã desta quarta-feira (31/3). Trata-se de um novo polo para cerca de 2 mil empresas da tecnologia da inovação, comunicação e telecomunicação

As obras inauguradas hoje são parte da infraestrutura (pavimentação, drenagem, água e esgoto) do parque, que tem 133 hectares de área já podada. Contudo, a ideia da Secretaria de Ciência e Tecnologia do GDF é que as primeiras construções já comecem ainda neste primeiro semestre.

Estiveram presentes na cerimônia de lançamento das obras o secretário de Ciência e Tecnologia, Izalci Lucas, o primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias de Brasília (Fibra), Ricardo Caldas, o secretário de obras do GDF, Jaime Alarcão, além de prefeitos comunitários e integrantes de associações dos moradores.

"Está prevista a instalação de cerca de 2 mil empresas de inovação, com investimentos que deverão atingir, no total, aproximadamente R$ 7 bilhões. Só nesta primeira fase de instalação, o investimento sobre o qual estamos baseando nossos cálculos ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão", comenta Izalci sobre o novo polo tecnológico de Brasília.

Faixa de pedestres completa 13 anos e a Polícia Militar comemora junto à população



Roberta Abreu
Publicação: 30/03/2010 20:20
No próximo dia 1º, a faixa de pedestres comemora 13 anos de existência. Para a data não passar em branco, a Polícia Militar do DF vai realizar, nesta quarta-feira (31/3), a operação "A faixa está viva". Em diversas faixas da capital, policiais militares do BPTrans e do Teatro Rodovia farão campanhas e, além de fiscalizar o tráfego, vão orientar os usuários das vias, pedestres e motoristas, quanto à necessidade de respeitar a legislação de trânsito. Às 12h30, um bolo será cortado em frente ao Conic, com a presença de autoridades e da população.

A comemoração foi antecipada em função do feriado da Semana Santa. Segundo o  tenente coronel Alessandro Venturim, comandante do Batalhão de Trânsido da PM, a faixa de pedestres é um marco para o trânsito do DF. "O respeito ao pedestre começou em 97 e ao longo dos anos salvou muitas vidas", afirma Venturim. De acordo com ele, os brasilienses se acostumaram com a faixa. "Mesmo assim, sentimos uma necessidade de revigorar esse respeito e nesta quarta será lançada uma nova campanha, 'Respeito ao pedestre, não deixe apagar essa marca'", avisa.

No início do dia, duas faixas de pedestres, no Conic e em fente ao shopping Conjunto Nacional, contarão com a presença dos policiais. A partir daí, cerca de 40 faixas espalhadas pelo Plano Piloto serão fiscalizadas. Para educar de forma criativa, o Grupo de Educação para o Trânsito – Teatro Rodovia - realizará uma Blitz Educativa, onde pedestres e motoristas serão abordados de forma lúdica proporcionando a aproximação entre a Polícia Militar e a comunidade.

domingo, 28 de março de 2010

Ceilândia comemora 39 anos de fundação



Cidade nasceu após a criação da Campanha de Erradicação das Invasões – CEI – e acabou ganhando a designação lândia que significa cidade em inglês

Tamanho da Fonte    Manoela Vinente
msouza@jornalcoletivo.com.br
  Redação Jornal Coletivo
Os moradores locais ainda têm tempo para jogos ao ar livre na praça e vivem, apesar do crescimento dos bairros, como se estivessem em uma cidade do interior, com qualidade de vidaFoto: Rúbio GuemarãesOs moradores locais ainda têm tempo para jogos ao ar livre na praça e vivem, apesar do crescimento dos bairros, como se estivessem em uma cidade do interior, com qualidade de vida
Em 1969, com apenas nove anos de fundação, Ceilândia já tinha quase 80 mil pessoas, que moravam em barracos que pareciam favelas. No mesmo ano foi criada a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI) presidida pela primeira-dama, dona Vera de Almeida Silveira. Em 1971, já estavam demarcados 17.619 lotes, ao norte de Taguatinga nas antigas terras da Fazenda Guariroba, de Luziânia (GO). Para a transferência dos 80 mil moradores, a Novacap fez a demarcação dos lotes em 97 dias, com início em 15 de outubro de 1970.   

Em 27 de março de 1971, o governador em exercício Hélio Prates  lançava a pedra fundamental da nova cidade, hoje local onde está a Caixa-d’água, com o nome de Ceilândia, inspirado na sigla CEI e lândia, de origem norte-americana que significa cidade. A primeira família assentada foi na QNM 23, Conjunto P, Lote 12, Ceilândia Sul.

Em nove meses, a transferência das famílias estava concluída, com as ruas abertas em torno do projeto urbanístico, dois eixos cruzados em ângulo de 90 graus, formando a figura de um barril. Nos primeiros tempos foi um drama. A população carecia de água, de iluminação pública, de transporte coletivo, e lutava contra a poeira, a lama e as enxurradas.

E em 2010, Ceilândia faz 39 anos ainda com muitos problemas de acordo com seus moradores, que reclamam da falta de segurança e da sujeira no centro e nas quadras. Ceilândia hoje é bem movimentada, mas antigamente não se podia andar pelas calçadas da Avenida Hélio Prates por causa dos camelôs, que foram todos retirados e colocados no Shopping Popular. O governo construiu também o restaurante comunitário e posto policial no espaço deixado pelos ambulantes. “Melhorou muito, mas a limpeza nas ruas tem que ter mais atenção da administração”, diz Maria das Graças.  Ontem, aconteceu a 4ª Copa de Futsal, no Sesc de Ceilândia. Hoje, a programação inclui a Corrida do Coração, que chega à 5ª edição, o Desfile Cívico, no Ceilambódromo, e o Campeonato de Futebol Society de Ceilândia, na praça poliesportiva. A expectativa é que cerca de 20 mil pessoas participem da comemoração.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Secretário de Transportes


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Eduardo Brito
Do Alto da Torre
Fraga aposta na candidatura a senador
O secretário dos Transportes, Alberto Fraga (foto), começou a ser citado como eventual candidato a governador, depois da tsunami criada pelas investigações da Polícia Federal, no caso, Durval Barbosa. Ele mesmo confessa que nunca viu um terremoto igual. Feitas as contas, porém, acredita que seu projeto de se eleger senador reforçou-se. "As pesquisas demonstram que a população quer mudanças e clamam por nomes novos e limpos", afirma.
Reversão de expectativas
Desde o início do governo – ou melhor, desde que se reelegeu deputado federal em 2006 – Fraga declarou-se candidato ao Senado. Há poucos meses essa candidatura se via ameaçada dentro do próprio DEM, o partido do secretário. É que, ao se firmar uma chapa puro-sangue para governador e vice, ficava difícil o partido ocupar mais um cargo majoritário na coligação. Hoje a situação mudou outra vez.
O erro do DEM
Para Fraga, "ao tentar ser diferente, o DEM optou por fazer julgamentos políticos em vez de jurídicos. Isso só piorou a situação, pois o partido acabou trazendo a crise para dentro dele". Por essa razão, o secretário acredita que nas próximas eleições o DEM sofrerá uma perda significativa de deputados e senadores.
Sem quarto mandato na Câmara
Fraga acha muito improvável que, caso não seja candidato ao Senado, concorra à Câmara dos Deputados outra vez. Afinal, diz, "já estou no terceiro mandato e tenho dez leis aprovadas". Assim, "acredito que já cumpri meu papel na Câmara Federal".
Polarização dará espaço à fragmentação
O secretário não acredita que nas próximas eleições a política brasiliense continuará polarizada – como foi entre Roriz e PT durante tanto tempo. Para ele, haverá uma fragmentação dando oportunidade a novos nomes se destacarem no cenário político do DF. "Inclusive o meu nome está sendo cogitado", lembra ele.
PT e PSDB já enfrentaram problemas iguais
A crise atual, acredita Alberto Fraga, não levará forçosamente a um crescimento político-eleitoral da atual oposição. O secretário lembra que outros partidos, como o PT e o PSDB, também passaram pelos mesmos problemas enfrentados pelo DEM.
Obras serão concluídas, garante secretárioFraga garante que as obras da Secretaria dos Transportes, em especial o VLT, serão completadas. "Lamento, no entanto, o ruído maldoso provocado pelos que tentaram demonstrar que as obras do VLT estavam ameaçadas.  Esses ruídos foram desmentidos pela própria Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), financiadora de parte do projeto, que em nota divulgou que o acordo com o GDF está mantido".
Dois eixos a mais para o trem urbanoNa opinião do secretário, no futuro o VLT será estendido para a Asa Norte ou para a Esplanada dos Ministérios, pois a cidade precisa dos dois eixos de ampliação. Em primeiro plano deve acontecer, porém, na Esplanada dos Ministérios. O trajeto completo partirá do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, passando pela W3 Sul/Norte, Esplanada dos Ministérios e Eixo Monumental e deverá ficar pronto em 2014, ano da Copa do Mundo.
Derrubada de árvores não assusta
Fraga afirma que "de forma alguma" a derrubada de árvores na W3, para passagem do trem urbano, representará um desgaste político muito grande. A maioria das árvores da W3 está doente e caem quando há fortes chuvas, colocando a população em risco, diz ele. "Além disso, vamos retirar cerca de 490 árvores e plantar 1.500, ou seja, três vezes mais que o atual", contabiliza. As novas árvores, asseguram, serão mais adequadas ao clima do Cerrado e proporcionarão sombra.
Para onde ampliar o metrô
De acordo com o secretário dos Transportes, o Metrô do Distrito Federal deve ser ampliado. "Vamos iniciar pela Asa Norte e, no futuro, teremos que avançar para atender outras cidades, entre elas o Núcleo Bandeirante", garante.
Ônibus melhoram uns 70%
Fraga calcula que, até agora, o atual governo conseguiu melhorar o serviço de ônibus no Distrito Federal em  70% do pretendido. "Em menos de três anos de governo substituímos 2.020 ônibus velhos por novos. A idade média da frota, que em janeiro de 2007 era de 14 anos, caiu para três. Temos hoje 950 veículos com acessibilidade universal. Na gestão passada não havia nenhum. Acabamos com as vans irregulares e as substituímos por 450 micro-ônibus novos e licitados. Fizemos também licitações no transporte rural, além de criarmos novas linhas", enumera.
Passagens sem aumento
Um ponto favorável à atual gestão, diz Fraga, é que há três anos Brasília não enfrenta aumento nas passagens. Além disso, diz, "começamos a construir os primeiros corredores exclusivos para ônibus na EPTG, e aumentamos o número de viagens e de linhas em todo o DF assim como  já construímos novos terminais em Brazlândia, Riacho Fundo I e São Sebastião. Em breve vamos começar as obras dos terminais de Ceilândia e Santa Maria e estamos licitando outros nas cidades do Gama, QNR/Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo II e Sobradinho II".
Vans não voltarão
"Uma volta das vans, seria o fim da picada", diz o secretário. Para Fraga, "isso seria o recomeço
da desordem, dos acidentes e do desrespeito aos usuários do transporte coletivo e motoristas".
Agnelo não teme virada de mesa
Já definido candidato do PT ao governo do Distrito Federal, o ex-ministro Agnelo Queiroz conversou com seu antigo rival pela escolha, o deputado Geraldo Magela, e não vê qualquer sentido em uma virada do tabuleiro. Magela disputou a indicação para governador desde o início do ano, mas fechou um acordo às vésperas da eleição interna do PT. Agnelo seria o nome para governador e Magela disputaria o Senado, na condição de candidato preferencial na chapa. "Esse acordo incluiu todas as correntes do partido, tanto assim que a corrente de Magela passou a apoiar o eleito, Roberto Policarpo, e não tem volta", diz Agnelo Queiroz.
Apoio nacional garante acordo
"Mais do que isso, tudo se fez com o acompanhamento e ratificação por parte da direção nacional do PT", completa. Agnelo registrou rumores de que Magela invocaria a mudança de quadro para retornar à luta pela candidatura a governador, mas não acredita sequer que isso seja viável. Conversou com o próprio Magela, sem que se mencionasse a questão. O PT brasiliense, avalia o ex-ministro, está pacificado e apostando agora na eleição de outubro.
Decisão difícil
O PMDB ainda não fixou uma postura a adotar sobre seus filiados envolvidos nas acusações do ex-secretário Durval Barbosa. O mais provável é que espere uma postura da Câmara Legislativa a respeito dos três distritais citados. Crescem, porém, as pressões para que alguma punição seja adotada pela executiva. Nesse caso – o assunto ainda terá de ser muito discutido – a tendência é afastar os filiados que foram flagrados, nos vídeos, recebendo dinheiro.




28/12/2009

Mercado imobiliário do DF já é o 2º maior do país

Correio Braziliense
Diego Amorim
Publicação: 07/02/2010 07:59 Atualização: 07/02/2010 09:09
O mercado imobiliário do Distrito Federal ultrapassou o do Rio de Janeiro e, em 2009, se consolidou como o segundo do país em faturamento e em número de unidades vendidas. Os lançamentos movimentaram R$ 11,7 milhões por dia, um total de R$ 4,3 bilhões no ano. Cerca de 14 mil unidades ganharam o mercado brasiliense. Os números foram divulgados pelo Conselho de Corretores de Imóveis do DF (Creci-DF), com base em levantamento feito entre 10 grandes empresas do setor.

Na capital carioca, o faturamento das empresas com a venda de cerca de 13 mil unidades parou em R$ 3,9 bilhões, segundo estimativa da Ademi-RJ. São Paulo lidera o ranking, com uma previsão de 34 mil unidades comercializadas em 2009. O faturamento não foi divulgado, mas o volume do mercado na maior cidade brasileira tende a ser quatro vezes maior do que o do DF. Salvador e Belo Horizonte se revezam no quarto e quinto lugares.

Diferentemente das capitais que sentiram os efeitos da crise, no DF não pararam a compra de terrenos e a construção de imóveis para atender a demanda - (Kléber Lima/CB/D.A Press )
Diferentemente das capitais que sentiram os efeitos da crise, no DF não pararam a compra de terrenos e a construção de imóveis para atender a demanda
Ao longo do ano passado, o novo cenário era esperado porque Brasília quase não sentiu os efeitos da crise econômica mundial. No Rio, o mercado recuou 20% no primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008. Construtoras cancelaram projetos e voltaram atrás na decisão de comprar terrenos, o que afastou investidores. “A crise obrigou as empresas a pisarem no freio e, com isso, acabamos vendendo menos”, explica o presidente do Creci-RJ, Casimiro Vale.

No DF, as empresas mais cautelosas chegaram a adiar lançamentos, mas não desistiram deles. “Eu queria estar em Brasília, principalmente em momentos de crise, quando, mesmo assim, as pessoas não deixam de investir”, comenta Paulo Fabbriani, conselheiro da Ademi do Rio de Janeiro e vice-presidente da incorporadora Carvalho Hosken. Ele pondera que a comparação entre as duas cidades é possível apenas no caso de unidades novas. “O mercado do Rio chega a ser 10 vezes maior se incluirmos o volume de vendas de imóveis usados”, diferencia.

Sem surpresas
Empresários do mercado do DF encaram o segundo lugar como se fosse o primeiro. São Paulo completou 456 anos no mês passado. Brasília faz 50 anos em abril. Os lançamentos em cidades como Samambaia, Gama e Ceilândia, além do fenômeno Noroeste (1), sustentou a expectativa de ultrapassar o Rio em 2009. “De certa forma, não nos surpreende. O DF tem um mercado de muito volume e muita dinâmica”, diz Fernando Maia, diretor da Brookfield Incorporações no Centro-Oeste. Somente a empresa dele faturou R$ 498,3 milhões com vendas no DF.

Tiago comprou um imóvel em Águas Claras e dois outros em Ceilândia - (Leonardo Arruda/Esp. CB/D.A Pres)
Tiago comprou um imóvel em Águas Claras e dois outros em Ceilândia
Existem cerca de 100 construtoras imobiliárias em atuação na capital federal. Animados com a confirmação dos números de faturamento, os donos das empresas traçam metas agressivas para 2010 e reafirmam que apostar em imóveis continua sendo o melhor negócio da cidade. “Não é que somos imunes a oscilações, mas passar o Rio de Janeiro em um ano de incertezas é sinal de que estamos blindados”, avalia o presidente da Ademi-DF, Adalberto Valadão, da Soltec Engenharia. Ele acredita que o DF deve se firmar no segundo lugar nos próximos anos.

O mercado de Brasília cresce, historicamente, a uma velocidade maior do que a dos demais centros urbanos. O salto varia entre 15% e 20% ao ano. “Tomamos a decisão de entrar no mercado de Brasília porque acreditamos no potencial dele. Ver o avanço no volume de vendas é colher os frutos dessa decisão”, afirma Frederico Kessler, diretor da Rossi, empresa paulista que há dois anos se instalou no DF. Para 2010, a empresa prevê seis lançamentos, o dobro do ano passado.

A mudança no ranking deve atrair mais investidores, acreditam os empresários. Em 2009, a valorização dos imóveis no DF foi de 25%, em média. A estimativa é de que cerca de 40% das unidades lançadas foram vendidas para pessoas dispostas a investir. “Esse segundo lugar mostra o vigor do mercado, o que é bom para as empresas e para os investidores”, comenta Dilton Junqueira, diretor da Brasal Incorporações, que faturou R$ 212 milhões em 2009, 138% a mais que em 2008. Este ano, a meta da empresa é lançar pelo menos quatro empreendimentos.

O Noroeste é um caso à parte. Em agosto do ano passado, a Brasal vendeu 95% das unidades do primeiro prédio lançado no futuro bairro ecológico em três dias. A servidora pública Conceição Azevedo, 59 anos, viu o folder do empreendimento, gostou e decidiu investir em um imóvel de três quartos, no sexto andar, de 127 metros quadrados e duas vagas na garagem. Ela pagou R$ 7,8 mil pelo metro quadrado, que hoje custa R$ 8,2 mil — valorização de 5% em seis meses. “Com imóvel, a pessoa nunca perde. O pior que pode acontecer é recuperar o que foi aplicado”, comenta Conceição, que comprou outros dois apartamentos em 2009 para investir.

Com a certeza de que fez bom negócio, o servidor público Tiago Luiz Morais de Assis, 25 anos, conta que também apostou no mercado imobiliário. Comprou três apartamentos, mas não encarou o Noroeste, por ora. “Está muito caro, acho que o retorno pode não ser o que estão esperando”, justifica. Depois de pesquisar preços, o jovem optou por um imóvel em Águas Claras, que deve alugar quando ficar pronto, e dois em Ceilândia. Esses, ele pretende passar adiante antes da entrega da chave e lucrar com a valorização. Em menos de um ano, os imóveis passaram a valer cerca R$ 40 mil a mais, cada um.

1 - Em 2009, foram aprovadas quase 100 projeções no bairro. As empresas lançaram 15 empreendimentos — para este ano, a previsão é de pelo menos mais 25. O preço do metro quadrado está em R$ 8,2 mil. O tamanho das unidades varia de 90 a 200 metros quadrados. Cerca de 80% do que foi lançado já tem dono.

"Enquanto houver a valorização, o mercado se sustenta. Mas quando começar a pairar uma dúvida sobre isso, os investidores poderão perceber que não mais vale a pena"

Aquiles Rocha de Farias, professor do Ibmec em Brasília

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Terracap licitará 1,4 mil lotes para servidores no Guará II

No próximo dia 28 de janeiro de 2010, áreas na expansão da cidade farão parte da licitação. Podem participar apenas funcionários do GDF que não tenham imóveis

Helena Mader

Publicação: 14/01/2010 07:30 Atualização: 14/01/2010 08:10

Cobiçada por cooperativas habitacionais e sonho de moradia para milhares de brasilienses, a expansão do Guará II vai, enfim, sair do papel. O bairro terá seis novas quadras, que vão abrigar 1,8 mil famílias. Os terrenos serão licitados, mas apenas servidores públicos vinculados ao GDF ou pessoas ligadas a cooperativas habitacionais poderão participar do projeto habitacional. A licitação para os funcionários da administração direta e indireta está marcada para o próximo dia 28. Ao todo, a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) vai oferecer 1,4 mil lotes aos servidores ativos ou inativos. O restante dos imóveis será vendido a associados a cooperativas habitacionais. Não há prazo para a seleção dessas entidades.

Região onde ficarão as QEs pares 48 a 58: infraestrutura pronta

A estimativa do GDF é que existam pelo menos 20 mil servidores da administração direta ou indireta com condições de concorrer aos lotes. Para participar da licitação, (1) os funcionários públicos deverão comprovar que não têm e nunca tiveram imóvel residencial no Distrito Federal. O preço mínimo estimado para os terrenos é de R$ 100 mil, mas o grande atrativo do negócio são as condições de venda. Os lotes podem ser parcelados em até 240 meses, com juros de 6% ao ano — percentual muito abaixo dos cobrados no mercado. Os terrenos oferecidos pela Terracap possuem, em média, 150 metros quadrados, mas algumas áreas nas pontas das quadras têm até 400 metros quadrados. Somente casas poderão ser erguidas nos locais. Os lotes de esquina custam um pouco mais, no mínimo R$ 160 mil.

Os servidores públicos interessados em entrar na disputa por um lote não precisam estar inscritos na lista da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do GDF (Codhab), que atualmente soma 300 mil nomes. “As condições são facilitadas para que os funcionários que nunca conseguiram comprar um imóvel no mercado de Brasília tenham condições de realizar o sonho da casa própria”, afirma o presidente da Codhab, João Carlos Medeiros. Cada funcionário público só poderá comprar um terreno. A área onde serão construídas as novas quadras já está com infraestrutura pronta, como rede de água e de coleta de esgoto. “Falta apenas construir os equipamentos públicos. Mas tudo isso já está previsto”, acrescenta João Carlos.

Cooperativas

Os 400 lotes destinados às cooperativas habitacionais serão vendidos de forma diferente. A Codhab vai abrir prazo para que as entidades apresentem projetos arquitetônicos e sociais para a área. A companhia vai selecionar as melhores propostas e cada associação habitacional poderá indicar, em média, 10 cooperados inscritos. Essas pessoas devem fazer parte, obrigatoriamente, da lista única da Codhab. As associações habitacionais também precisam ser credenciadas pelo governo. Atualmente, cerca de 600 entidades fazem parte do cadastro do GDF.

Nesse caso, os lotes também serão vendidos pelo governo e o preço mínimo estimado é o mesmo, de R$ 100 mil. “Um dos critérios de desempate é ser morador do Guará. Vamos dar prioridade àquelas pessoas que já vivem na região há muito tempo, mas têm que pagar aluguel”, afirma o presidente da Codhab.

Entre as cooperativas, a expectativa é grande. O presidente da Associação Habitacional do Guará, Manoel da Cruz, explica que a entidade tem cerca de 180 inscritos e afirma que a maioria deles se interessa por um lote na região. “Acho justo que os moradores do Guará sejam privilegiados. Só espero que o processo de seleção seja bastante transparente para que as associações possam concorrer entre si da melhor forma possível”, justifica Manoel. Poderão participar os inscritos em cooperativa que nunca tiveram imóvel no DF e cuja renda familiar é de até 12 salários mínimos. Depois da indicação das entidades, o governo vai conferir toda a documentação dos futuros beneficiados antes da entrega do imóvel.

Programas habitacionais diferenciados para funcionários públicos do GDF são uma reivindicação antiga da categoria. O secretário-geral do Sindicato dos Servidores do Distrito Federal, Cícero Rola, afirma que a luta por moradia é uma das prioridades de quem trabalha no governo. “Vamos continuar lutando por outros lotes para servidores, como a área no Colorado que há anos é prometida para a categoria”, diz Cícero.

1 - Lances

A licitação ocorrerá em 28 de janeiro, às 9h, na sede da Terracap (localizada atrás do Palácio do Buriti). Os funcionários públicos interessados não precisam depositar caução nem pagar a entrada. Vence, logicamente, quem der o maior lance.

Oportunidade

Os terrenos reservados para funcionários públicos terão, em média, 150m². O preço mínimo gira em torno de R$ 100 mil.

Nas mesmas quadras da expansão, outros 400 lotes, cuja venda ainda não está definida, serão destinados a cooperativas habitacionais.

660 terrenos distribuídos

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) publicará na edição de hoje do Diário Oficial do DF a convocação de cooperativas interessadas em participar de um novo programa para distribuição de moradias a pessoas carentes. Ao todo, serão 660 lotes em Santa Maria, 300 em Ceilândia e 240 no Recanto das Emas. As associações credenciadas pelo governo que se interessarem devem procurar a Codhab para que seus cooperados possam ser beneficiados.

O GDF não vai cobrar pelos lotes. Mas as pessoas devem ser inscritas na lista da Codhab. “Isso faz parte dos projetos sociais do governo. A gente entra com o lote e as cooperativas se organizam para construir as casas. Elas podem recorrer a construtoras ou a financiamentos como o oferecido no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal”, explica o presidente da Codhab, João Carlos Medeiros.

Convocados

Até março, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional vai entregar mais cerca de 4.259 lotes. Nesses casos, os beneficiados já foram convocados, falta apenas a finalização das obras de infraestrutura. São 840 lotes em Sobradinho II, 847 em Ceilândia, 530 no Recanto das Emas, 1642 em Santa Maria e 400 na expansão do Itapoã.